Música

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Foi com entusiasmo que hoje acordei para a notícia de que Chance the Rapper venceu o Grammy de Best New Artist e, mais impressionante ainda, Best Rap Album, derrotando dois dos gigantes do género, Drake e Kanye West. E isto é importante - e em vários aspectos revolucionário - por uma simples razão: Chance the Rapper é, de momento, o único grande nome do rap norte-americano completamente independente no que toca a grandes labels. Chance não é representado por nenhuma grande editora; há dez anos, aliás, que recusa.

Há quem discuta se ele é assim tão independente, visto o seu meio de divulgação dos seus álbuns ser o iTunes e a Apple Music, e que existe a possibilidade inclusive de haver acordos entre a Apple e o artista independente. Além disso, que é preciso ter-se em consideração que Chance, apesar de independente, receb a atenção de uma empresa avaliada em 700 biliões de dólares. O cantor tem ainda colaborado com vários artistas como Frank Ocean, R. Kelly, Childish Gambino, e muitos mais, facto que leva ainda alguns a debater se lhe valeu ainda a projecção. Debatível, suponho.

Inegável é que o rapper de Chicago mudou o paradigma de como a indústria musical norte-americana controla os seus artistas. Facto é que Chance não tem ainda uma grande label em cima em produção dos seus álbuns, e usa o streaming como divulgação de um trabalho de concilia o rap com o r&b e o gospel em colaborações numerosas. Chance the Rapper está de parabéns pelo prémio em tudo meretório.

Coimbra

'Saudade' é uma palavra portuguesa

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Imagine-se: uma cidade inteira, enegrecida pelas capas estudantis que os finalistas envergam, calada perante este fado de tristeza, de despedida, perante esta balada retratista de um final de etapa, de um último degrau na fase de tantas vidas estudantis; um silêncio pesado de respeito que se abate sobre todos os presentes, que é ele mesmo abatido pela força imperativa de um fado que se canta, pelo som das guitarras portuguesas, pela música que canta essa palavra portuguesa que 'Saudade' é.

Isto é Coimbra.

Isto é uma Universidade portuguesa.

Isto é uma Serenata.

Isto é Tuna, e Fado, e Toada Coimbrã. É música portuguesa no seu mais profundo coração.



Sentes que um tempo acabou
Primavera de flor adormecida,
Qualquer coisa que não volta que voou,
Que foi um rio, um ar, na tua vida.

E levas em ti guardado
O choro de uma balada
Recordações do passado
O bater da velha cabra.

Capa negra de saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo comigo p’rá vida.


Sabes que o desenho do adeus
É fogo que nos queima devagar,
E no lento cerrar dos olhos teus
Fica a esperança de um dia aqui voltar.

E levas em ti guardado
O choro de uma balada
Recordações do passado
O bater da velha cabra.

Capa negra de saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo comigo p’rá vida.

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