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5.2.12
@ 00:58
A Difel tem um longo historial, enquanto editora, de traduzir obras excelentíssimas e publicá-las com capas intragáveis. Mas uma mudança abeira-se. A Difel faliu, e a Saída de Emergência apoderou-se dos direitos de autor de uma escritora que, ao longo destes anos, já merecia obras com capinhas mais bonitas do que aquelas composições 3D horrorosas.
E eis que me deparo com isto, e logo entro em êxtase:

E é tudo.
Etiquetas: Livros
4.1.12
Livros da minha vida #3 @ 07:52
A Casa da Floresta
Género: Fantástico, Histórico
Autor: Marion Zimmer Bradley
Depois de ler As Brumas de Avalon, apaixonei-me de tal modo pela escrita de Bradley que decidi aventurar-me por mais obras da autora. Na altura, não sabia que havia mais obras relacionadas com o mito arturiano, e nomeadamente Avalon - e foi através da Casa da Floresta que descobri que, ao todo, são, excluindo os quatro da saga das Brumas, seis livros.
A Casa da Floresta, cronologicamente, insere-se bem antes da saga das Brumas. Passado no século I d.C., esta é, nada mais nada menos, do que uma história de amor.
Ela conta-nos a história de Eilan, a neta do druida Bendeigid e destinada a tornar-se a alta Sacerdotisa da Casa da Floresta, e o seu amor Gaiu, filho de um proconsul romano. Esta não é, no entanto, uma história de amor desenfreada e de pontas soltas. É coesa e é bela, como uma balada mais antiga que o próprio Romeu e Julieta.
A história passa-se depois do massacre da Ilha de Mona, sagrada ilha do antigo santuário da Deusa, onde, após a derrota a Boudicca, os homens são mortos e as sacerdotisas violadas. O estigma da barbaridade romana prevalece ainda quando Gaius cai numa armadilha de ursos e é cuidado por Eilan e a sua família, assumindo o seu nome celta, das origens da sua mãe - Gaius tem sangue real das tribos celtas - Gawen.
Enquanto este faz juras de amor a Eilan, a rapariga é chamada pela Deusa a servir a Casa da Floresta, onde depois da morte Lhiannon, a grã-sacerdotisa, ela é ordenada. Mas antes, concebe um filho de Gaius nas fogueiras de Beltane.
O seu filho carrega consigo o sangue dos Sábios (os Druidas), do Dragão (a realeza das tribos Celtas) e da Águia (romano) e Eilan sabe que terá um papel importante no futuro da Bretanha. No entanto, ela pressente igualmente um final trágico, causado pelo seu avô Bendeigid, Arquidruida da Bretanha. Caillean, que lhe ensinou os caminhos da Deusa e se torna a sua mais fiel amiga, sob a ordem de Eilan, agarra numa quantidade de sacerdotisas e funda uma nova Casa na Ilha de Avalon, levando consigo o seu filho. Numa instância final, Eilan e Gaius são sacrificados para protegerem o seu filho.
A história é apaixonante e parece ter um efeito estranho sobre quem a lê. O máximo que posso explicitar sobre este livro refere-se a uma experiência pessoal: emprestei-o a uma amiga aconselhando-a a lê-lo, ao que no dia seguinte ela me diz que o seu pai encontrou o livro e decidiu começar a lê-lo. O mais incrível é que esta pessoa, que voluntariamente decidiu começar a ler o livro - e mais tarde me diria que amou a obra - é das pessoas mais frias e distantes que conheço. Então, eu pergunto: qual será, afinal, o poder da escrita de Bradley para demover até os mais frios?
É, sem sombra de dúvida, a história mais apaixonante que até hoje li, e de todas as obras de Bradley relativamente a Avalon, a que mais me fascinou. Todo o ritmo deste amor é contado de uma forma que se assemelha a uma balada, uma canção de embalar. A beleza interior de cada personagem é de louvar, e julgo que seja impossível ficarmos indiferentes a tamanha história humana e bela como esta.
Etiquetas: Livros, Livros da Minha Vida
28.12.11
Livros da minha vida #2 @ 02:23
As Brumas de Avalon
Género: Fantástico, Histórico
Autora: Marion Zimmer Bradley
Tenho por hábito, em certas e muito particulares ocasiões, arriscar às cegas no mundo da arte. Às vezes, compro filmes sem saber nada sobre eles, como que atraída por eles. É um sexto sentido que tenho, em que sei imediatamente que aquele pedaço de arte que me está a atrair irá mudar qualquer coisa na minha vida.
Foi o caso com esta obra.
Devia ter 15 anos quando ouvi ou li o título pela primeira vez. Não sei onde, não sei como, até hoje não faço ideia como este título chegou até mim, mas foi na feira do livro de Lisboa, talvez em 2006 se a memória não me falha, que decidi arriscar. Na banca da Difel, vendia-se um pack com os quatro livros por 20 euros. Não perdi mais tempo.
Já não me lembro se os li todos num só ano, mas lembro-me que terminei de ler no verão de 2007. E foi assombroso.
É um fascínio que aqui tenho desde miúda, herdado da minha mãe, pelo mundo britânico, os druidas e o misticismo do megalítico da ilha da Grã-Bretanha, esse fantástico povo envolto em tamanho misticismo e beleza que são os Celtas. A língua gaélica fascinava-me. A mitologia celta era a minha perdição. Além disso, um outro assunto do qual pouco sabia mas que me deslumbrava era acerca desse rei chamado Artur.
Ler este livro foi como um conciliar de expectativas e paixões desses mundos que me tanto me deslumbravam.
Marion Zimmer Bradley encontra um discurso pleno e sereno, que facilmente se adapta às situações que ela cria nesta saga. A fórmula utilizada para recontar a história do Rei Artur é, no fundo, fascinante, mágica, deslumbrante. Este livro trouxe-me risos e lágrimas e ensinou-me coisas inúmeras.
Ele conta a história da ascensão e queda de Avalon, dos confrontos entre paganismos difusos, a vida e a morte desse grande líder aliado ao Cristianismo que era Artur, do ponto de vista de uma mulher enfabulada, enbruxada e enegrecida pela tradição oral: Morgaine, ou como popularmente se enraizou, Morgan le Fay.
O prisma feminino de um império em ascensão e declínio é aqui definido através de personagens distintas e com objectivos bem traçados. Não existem erros nem incongruências. É como se elas próprias tivessem existido, tal é a certeza e o carácter presente em cada uma delas.
O livro não é, como tem-se vindo a pensar erradamente, um contraste brusco entre religiões, uma oposição em força a qualquer tipo de cristianismo. Ele é, antes de mais, a alternativa para essa incessante guerra, a conciliação perfeita e pacífica de dois mundos opostos, de duas crenças em mútua desavença: «Todos os deuses são um Deus».
O destino fatal de Merlin, os erros de Artur, a criancisse de Gwenhwyfar, a aceitação muda e dolorosa de Morgaine, a heroína que silenciosamente aceita as divergências religiosas e assiste ao declínio de um mundo antigo para dar lugar a um novo mundo; a determinação de Morgause, a inocência de Igraine, a bravura de Lancelot e a ousadia de Mordred... Toda uma conciliação perfeita entre personagens atinge, aqui, um culminar belo, uma linda fábula sobre a Britânia celta em guerra com Roma, um conto feminino da Terra e da Natureza.
A escrita de Bradley é cativante. O seu discurso é pleno de beleza, em que cada palavra merece ser saboreada lentamente. Esta é uma obra que me deliciou durante anos (bem como outros livros adjacentes à saga), que me ensinou e me acompanhou. Um verdadeiro clássico.
Etiquetas: Livros, Livros da Minha Vida
Livros da minha vida #1 @ 00:05

Trilogia do Reino Antigo ou Trilogia de Abhorsen
Género: Fantástico.
Autor: Garth Nix
Quando tinha 12 anos, tinha uma professora de português que nos fazia ler. Todas as semanas, ela trazia um livro diferente da colecção Estrela do Mar, da editora Presença, e contava-nos a sua história. Todos nós, preguiçosos como éramos para crianças na flor da adolescência, nos sentíamos imediatamente cativados pelo seu entusiasmo ao recriar as histórias fantásticas na sua própria visão e palavra.
Desde pequena que sempre li, mas foi com esta professora que aprendi a escolher os meus livros, a entrar numa livraria e ler a contra-capa, escolher o desenho mais bonito da capa, avaliá-lo pela sinopse. Passei a ter um gosto e vontade própria em comprar livros.
Quando tinha 14 anos, entrei na Fnac de Almada, muito recentemente aberta no muito recentemente inaugurado Almada Fórum - estávamos em 2004 - e vagueei pela secção infanto-juvenil, onde a minha colecção predilecta (a Estrela do Mar) estava disposta. Nesse dia, aventurei-me por outros corredores, nomeadamente os da secção fantástica.
Ali, todas as capas dos livros que estavam dispostos eram bonitas e tinha desenhos apelativos. As sinopses escritas nas contracapas tinham nomes incompreensíveis e difíceis de pronunciar - apaixonei-me de imediato.
Nunca me apeguei demasiado à literatura fantástica por sentir, por vezes, que não passa disso: fantasia. Um punhado de personagens com nomes esquisitos lançadas para um mundo de monstros e feras em que o escolhido renasce das cinzas de miséria em que provavelmente se insere e domina com riqueza e bravura o seu mundo. E, no fim, consegue a miúda.
Nesse dia em que avaliei a secção de literatura fantástica pela primeira vez, descobri numa prateleira um livro verde intitulado A Missão de Sabriel (versão portuguesa). Os desenhos eram, para mim, ousados e atrevidos. A capa da versão portuguesa apresenta uma mulher de cabelo preto, segurando uma espada numa mão, que atravessa ao longo do seu olhar com um ar pesado e ousado, e no seu peito está atravessado um cinto com pequenas bolsas para sete sinos.
Comecei a ler o livro quase imediatamente e não consegui parar. Quando o terminei, a minha professora de português trouxe-o numa semana de aulas e apresentou-o e eu disse-lhe que fiquei fascinada. Do que eu não gostava na literatura fantástica, eu percebi porquê quando li Sabriel, Lirael e Abhorsen.
A trilogia conta a história de duas gerações num país em duas cidades se encontram divididas por um muro: Ancelstierre, a cidade da razão, lógica, ciência e racionalidade, em que todo o desconhecido é ignorado, tal como aquele do Reino Antigo, do outro lado do muro, em que a Necromancia e a Magia livre batalham-se mutuamente por questões de paz e poder, estabilidade e desordem.
O leque de personagens é variado, misterioso, fascinante. Sabriel é a herdeira do título de Abhorsen - uma espécie de Templário da Necromancia, o Necromante encarregue de enviar os Mortos rebeldes de volta para os seus eternos descansos através do uso dos sete sinos - que, juntamente com Touchstone (um ser aprisionado como figura de proa de madeira de um barco durante duzentos anos e legítimo herdeiro do trono do Reino Antigo) e Mogget (um estranho gato branco que fala com sarcasmo, ironia e uma divertida má disposição), irá aprender numa viagem de salvamento e auxílio ao seu pai a difícil missão de suportar tal título.
Lirael é uma jovem habitante do Glaciar das Clayr que, aos catorze anos (três anos mais tarde do que o normal), ainda não recebeu os seus dons da Visão. Sentindo que não se consegue enquadrar, ela cria uma companhia própria para si - a Cadela desavergonhada, uma criatura da Magia Livre aprisionada numa coleira mágica. Embora não possua a Visão, a moça irá descobrir que possui dons e capacidades mais poderosas e intensas do que qualquer Clayr do glaciar.
Enquanto isso, Sameth é o filho da actual Abhorsen Sabriel e o rei Touchstone I e o legítimo Abhorsen-em-Espera, mas que sofre um medo terrível da morte depois de um encontro quase mortal com Hedge. A sua missão consiste em encontrar o seu amigo Nicholas Sayre, descrente em toda a magia do Reino Antigo, raptado por Hedge.
Em Abhorsen, a história do segundo livro encontra um fim quando uma profecia ditada pelas Clayr se concretiza: Lirael e Nicholas Sparks atravessam o rio num barco. Aqui, todo o enredo encontra um final fascinante e emocionante, pleno de surpresas, tristezas, alegrias.
As obras não contam apenas histórias fantásticas de dois mundos inexistentes. Falam-nos de questões humanas como o destino de cada um, o caminho a seguir, a luta interior em aceitar - ou não - as consequências da nossa hereditariedade. Ensina-nos sobre a amizade e a união, sobre a força, a coragem e o humanismo. É uma bela história, uma harmonia entre personagens ricas, que nos ensina a esperança sob a forma literária fantástica.
Ao longo da obra, encontramos referida a mesma frase várias vezes, frase essa que, oito anos depois, tenho bem impressa na memória:
«É o caminhante que escolhe o caminho, ou o caminho que escolhe o caminhante?»
Etiquetas: Livros, Livros da Minha Vida
26.12.11
Perguntas sem resposta #2 @ 04:29
Porque é que há pessoas que insistem em entrar num autocarro atolado de gente até à janela para saírem duas paragens depois?